30/07/2025
O impacto do TDAH não tratado na vida adulta: quando a vida vira um campo de batalhas invisíveis
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é mais conhecido por seus sintomas na infância, como agitação, desatenção e impulsividade. No entanto, muitos desconhecem que esse transtorno neurobiológico também acompanha boa parte dos indivíduos na fase adulta — e quando não tratado, pode gerar impactos profundos na vida pessoal, profissional e emocional.
Participando do quadro Pergunte ao Especialista, do programa Café com Vanessa na RedeTV Tocantins, o psicólogo e especialista em neuropsicologia Sivanildo Ferreira abordou esse tema com clareza e sensibilidade. Segundo ele, o TDAH afeta o funcionamento executivo do cérebro, comprometendo habilidades como organização, planejamento, regulação emocional e controle de impulsos. Em adultos, os sintomas muitas vezes são mascarados por anos de tentativas de adaptação e críticas sociais. O resultado: um acúmulo de frustrações.
“É comum que a hiperatividade da infância dê lugar a uma inquietação mental constante. O adulto com TDAH pode viver em estado de alerta, lidando com procrastinação, esquecimento, dificuldades em cumprir prazos e oscilações emocionais. Muitas vezes, ele carrega consigo um histórico de fracassos acadêmicos, demissões frequentes ou relacionamentos instáveis — tudo isso sem saber que há um transtorno por trás”, explica Sivanildo.
Reconhecer o TDAH na vida adulta é essencial. Muitos passaram despercebidos na infância, sendo apenas rotulados como “distraídos”, “bagunceiros” ou “desorganizados”. O diagnóstico tardio, embora desafiador, traz alívio e possibilidades reais de mudança. “A avaliação precisa ser criteriosa, envolvendo entrevistas clínicas, levantamento do histórico desde a infância, escalas comportamentais e, em muitos casos, avaliação neuropsicológica. Quando compreendido, o TDAH deixa de ser um fardo e passa a ser um aspecto do funcionamento da mente que pode ser manejado”, completa o especialista.
Na vida profissional, os prejuízos do TDAH não tratado são significativos: baixa produtividade, dificuldades em cumprir metas, troca frequente de emprego ou curso e autossabotagem. No campo afetivo, a impulsividade e a desatenção podem gerar conflitos, sendo confundidas com desinteresse ou irresponsabilidade. Além disso, é comum que o transtorno venha acompanhado de quadros de ansiedade, depressão e baixa autoestima.
Apesar de tudo isso, há esperança e caminhos possíveis. O tratamento pode envolver psicoterapia (especialmente com abordagem cognitivo-comportamental), uso de medicação sob orientação psiquiátrica e estratégias práticas de organização pessoal. Aplicativos de agenda, rotinas estruturadas, lembretes visuais e ambientes com menos estímulos são aliados poderosos.
Mais do que identificar um transtorno, o diagnóstico de TDAH na vida adulta é uma forma de reconectar a pessoa com sua história e com seu potencial. Como destacou Sivanildo na entrevista, “quando o paciente entende que seus desafios têm uma explicação e que há ferramentas para lidar com isso, ele deixa de se ver como incapaz e passa a construir uma nova narrativa para si mesmo”.